Como funciona a reciclagem de resíduos de origem animal

Muitos dos produtos que consumimos no dia a dia têm em sua composição resíduos de origem animal. Ração para pets, gelatina, biodiesel usado como combustível… São apenas alguns exemplos.

Mas, esses resíduos são produzidos a partir do quê? Trata-se de componentes que sobram no processo de produção de carne como vísceras, ossos, pelos, gordura, etc. Esses subprodutos podem ser processados e usados como matéria-prima para a fabricação de produtos alimentícios ou são destinados para outras indústrias.

Há estimativas de que são consumidos pelo homem, em média, 68% da carne do frango, 62% do porco, 54% do boi e 52% da ovelha. O restante é classificado como não-comestível. Dessa forma, é preciso contar com alternativas para processar este material que não é consumido, contribuindo para a sustentabilidade.

Confira alguns números sobre a reciclagem de resíduos de origem animal no Brasil:

  • São processados 12,4 milhões/ano de toneladas de matéria crua;
  • A partir desse número, são produzidos 5,3 milhões/ano de toneladas de farinhas e gorduras;
  • Este mercado movimenta R$ 7,9 bilhões e gera 55 mil empregos;
  • O país gera 65 kg de resíduos de origem animal/ano per capita.

 Fonte: VG Resíduos, startup especializada na gestão de resíduos

Com esses dados é possível ter uma ideia do tamanho do mercado da reciclagem de resíduos de origem animal no país, um dos líderes na produção e exportação de carne mundial.

Por que reciclar resíduos de origem animal?

Os resíduos de origem animal desenvolvem microrganismos durante o seu processo de decomposição, além de atrair outros animais. A matéria primeiramente passa por um processo de desidratação e oxidação, o que resulta na destruição dos aminoácidos, com formação de amônia e gás sulfídrico.

É preciso gerenciar a produção dessas substâncias já que, dentro da cadeia de produção de carne, isso acontece em grande escala, causando impactos no meio ambiente. Para se ter uma ideia, a decomposição de um único boi libera 1,2 toneladas de gás carbônico na atmosfera (Associação Brasileira de Reciclagem Animal/ ABRA).

Se esse processo acontece de forma controlada, é possível manter propriedades como substâncias colágenas, proteínas e aminoácidos, utilizados como matéria-prima para a indústria.

A reciclagem deve seguir as orientações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a fiscalização segue o Regulamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (RISPOA).

Confira a seguir a aplicação de cada resíduo na indústria:

  • Ossos, cárneos e vísceras bovinas: fabricação de farinha rica com proteína, cálcio, fósforo e gordura e de ração animal;
  • Sebo de boi: gordura energética, composta de triglicerídeos; fabricação de ração, composição de produtos de higiene e limpeza, vernizes, lubrificantes, indústria farmacêutica e fabricação de glicerina.
  • Carnes e ossos suínos: graxa suína, usada na fabricação de ração de cães e gatos e fabricação de biodiesel, substituindo fontes vegetais.
  • Pele de porco, couro e ossos bovinos: fabricação de gelatina.

De uma forma geral, os pequenos estabelecimentos comerciais destinam seus resíduos para aterros sanitários, o que é inadequado. Formas de descarte como alocação em aterros sanitários, enterramento, compostagem e queima não são as melhores soluções, já que a matéria não se decompõe totalmente, além de haver o risco de proliferação de doenças e a emissão de gases poluentes.

Reciclagem de resíduos deve acompanhar expansão da produção de alimentos

Conforme dados da ABRA, a indústria brasileira de reciclagem animal movimentou R$ 8,3 bilhões no ano passado. Das 7 milhões de toneladas de resíduos de abate bovino contabilizados em 2019, foram geradas 3,4 milhões toneladas de farinhas e 1,9 milhões de gordura de origem animal. Do total das farinhas, 2,5 milhões foram destinados à alimentação animal, para as indústrias que produzem ração.

São números expressivos, que demonstram o nível dos processos de sustentabilidade na produção de carne no país. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura prevê que o Brasil seja o principal fornecedor de alimentos para o planeta em 2026/2027. Dessa forma, é preciso que a reciclagem acompanhe essa expansão no mercado, que deve dobrar a produção de proteína nos próximos anos.

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[Imagem] carroceria para transporte de vísceras. Fonte: Rodovale

A estrutura logística nesse mercado deve observar normas de higiene, garantindo a sanidade do transporte da matéria-prima até o processamento. Na Rodovale temos a linha mais completa do mercado brasileiro de implementos rodoviários destinadas ao transporte destes resíduos, nas opções de aço carbono ou em inox (como a carroceria para transporte de vísceras), que garantem a qualidade e segurança do produto com maior agilidade em seu deslocamento.

Esperamos que o conteúdo tenha sido útil para você entender um pouco mais sobre o mercado de reciclagem de resíduos de origem animal. Até a próxima!